Luz no fim do túnel
terça-feira, fevereiro 12th, 2008
Continuando o assunto do post anterior (do dia 07 de fevereiro)…
O detonador
Tony Fadell, um ex-funcionário da Phillips, vislumbrou um novo leitor de arquivos MP3. Diferentemente dos então volumosos tocadores que utilizavam memória flash, Fadell queria desenvolver um tocador, equipado com um pequeno disco rígido, que estaria conectado com um sistema de entrega de conteúdo onde usuários poderiam adquirir e baixar músicas legalmente.
A primeira empresa que ele buscou foi a RealNetworks (em 2000), onde o CEO, Rob Glaser, já se encontrava no comando de um grande sistema de entrega de conteúdo utilizando os canais de rádio e televisão da Real. A Real não conseguiu entender a necessidade de desenvolver um novo acessório para o seu já lucrativo sistema. Depois eles seriam pegos desprevenidos quando a loja iTunes foi aberta. Fadel contatou então a Philips e também teve sua idéia rejeitada.
Sem desespero, Fadell procurou a Apple, que anos antes havia jurado nunca mais entrar no setor de equipamentos eletrônicos depois dos fracassos do Pippin e do Newton. Mesmo assim os executivos da Apple ficaram muito entusiasmados com a implementação dos planos de Fadell e ele foi contratado no início de 2001 para gerenciar um time de desenvolvimento com cerca de trinta pessoas e com um prazo de um ano para lançar um produto de sucesso.
Ao contrário da maioria dos outros fabricantes de tocadores MP3, o iPod não usaria controles que eram mais adequadas para o Walkman da Sony de 1979 do que para um tocador MP3, com uma capacidade de milhares de músicas. Em vez de utilizar botões para pular de uma música para outra, um usuário poderia girar uma roda na parte frontal do dispositivo para percorrer uma lista de canções e encontrar a música que o usuário quer ouvir. A mesma roda também foi utilizado para controlar os menus do sistema. Como resultado, foi muito mais fácil de navegar através das opções e listas de músicas no iPod do que nos tocadores da Nomad ou Compaq.
O Lançamento do iPod
O iPod foi anunciado ao mundo em um auditório alugado perto da sede da Apple em Cupertino. O público – e o resto da indústria de computadores – ficaram chocados com o produto. Ninguém entendeu – naquele momento - a importância do dispositivo para a Apple e para a indústria da música. Somente mais tarde eles puderam dar o devido valor ao lançamento. Muitos reagiram com hostilidade ao produto e com críticas que foram do seu preço (U$ 400) a sua roda de rolagem e a sua falta de compatibilidade com o Windows.
Um mês depois, o iPod foi lançado na Europa com uma entusiástica recepção. Enquanto mais unidades eram vendidas foi se formando um ecossistema em torno do dispositivo, como novos acessórios e softwares.
A Cadeia Formada
Seguiram-se novas versões, chamadas de “novas gerações” e novos acessórios, mas a mais importante atualização para o iPod não foi, de fato, nenhum recurso de hardware ou software. Foi a implementação do objetivo inicial de Tony Fadell de criar todo um negócio em torno do iPod.
A loja virtual de músicas iTunes Music Store (iTMS) foi anunciada no Verão de 2003 e abriu alguns dias mais tarde. Agora, o iPod tinha um fornecimento de conteúdo totalmente legal, e possibilitou a Apple reduzir os preços do iPod agora que ela tinha toda uma nova fonte de receitas.
A iTunes Store é um serviço online de música e vídeo operado pela Apple Inc. dentro do programa iTunes. Introduzida em 28 de abril de 2003, a loja provou a viabilidade de vendas online de música. Até setembro de 2006, a loja já havia vendido mais de 1,5 bilhão de músicas, responsável por mais de 80% das vendas mundiais de música online. Os arquivos transferidos da loja vêm com restrições de uso, aplicadas pelo sistema de gestão de direitos digitais FairPlay da Apple. Todas as canções são vendidas por um único preço em todas as lojas, exceto a japonesa. Nos Estados Unidos e Canadá, custam US$/CA$ 0,99; AU$ 1,69 na Austrália; € 0,99 na eurozona e £ 0,79 no Reino Unido. No Japão, as canções são vendidas por ¥ 150 e ¥ 200. Os downloads gratuitos são disponibilizados nas terças-feiras, e permanecem gratuitos até a próxima terça-feira. Alguns artistas optam por ter algumas canções disponíveis sem custo também, como o single “When the President Talks to God” da banda independente Bright Eyes.
Aprisionamento na Cadeia
Enquanto licenças para a compressão AAC e o formato de arquivo “mp4″ estão disponíveis abertamente, a Apple não concordou em licenciar seu esquema de encriptação FairPlay para outros fabricantes até recentemente, então apenas o iPod da própria companhia podia reproduzir arquivos comprados na loja, além de computadores com iTunes ou QuickTime instalado. Em 7 de setembro de 2005, a Motorola e a Apple anunciaram o Motorola ROKR E1, que vem com o programa iTunes instalado e com a capacidade de reproduzir canções da iTunes Store. Cerca de dois meses depois o segundo celular com iTunes, o Motorola RAZR V3i foi anunciado. O Motorola SLVR L7, lançado no início de 2006, acabou tornando-se de fato o segundo telefone disponível no mercado a dar suporte a canções codificadas pelo iTunes ou compradas pela iTunes Store.
Assista no iPod !
Lançado em Outubro de 2005 a quinta geração do iPod pode ser encarada como tão importante como foi a criação da iTunes Music Store. Disponível em versões com 30 GB e 60 GB o iPod passa a ser capaz de reproduzir vídeos comprados on-line. Michael Iger, o CEO da Disney, negoci
ou com a Apple a venda de cópias da programação da rede ABC na loja iTunes. As conversações foram iniciadas um ano antes, mas Jobs e o CEO da Disney, Michael Eisner, não chegaram a um acordo e, além disso, a tecnologia ainda não estava suficientemente barata.
O iPod de quinta geração é até 30% mais fino do que modelos anteriores. A Apple atualizou esse iPod em Setembro de 2006 com uma tela mais brilhante e vida mais longa da bateria, além de equipá-lo com um disco rígido de 80 GB.
Analisando o volume de iPods vendidos é fácil de se perceber o efeito conjunto do lançamento da loja iTunes, da entrada no mundo do vídeo e a constituição da cadeia de distribuição de conteúdo multimídia nesse crescimento.
Várias vezes discuti com colegas de trabalho, como seria “legal” trabalhar em um setor de indústria mais tranquilo, com crescimentos e alterações de tecnologia muito mais modestos. Onde não existiam grandes saltos de guinadas de rumos. Assim poderíamos planejar mais a longo prazo nossos movimentos o que traria redução nas pressões imediatistas. Em resumo… poderíamos viver um pouco mais tranquilos e sem essa correria louca. (Com uma grande chance de ficarmos entediados em poucas semanas.)
o nesses mercados malucos de Telecom e Internet: “Mercados em Evolução Contínua”, de Charles Fine. Um livro de 1998-1999, mas que continua muito atual. O autor descobriu que os biólogos preferem estudar as modificações genéticas das drosófilas (as moscas das frutas) pois elas tem uma vida útil de 40 dias. Nesses 40 dias elas nascem, vivem, se adaptam ao ambiente, evoluem geneticamente, reproduzem e morrem. Durante 1 ano de trabalho é possível analisar o efeito dessas transformações em várias gerações de drosófilas e como elas evoluem em resposta ao ambiente em que vivem.
As mudanças que o entretenimento digital, envolvendo música, vídeo, textos, jogos, vem sofrendo nesses nossos tempos têm origem em um único fenômeno: o aumento do poder do usuário. Quando falo “usuário”, leia-se: audiência, telespectador, jogador (gamer), Internauta e outros tipos assemelhados.